terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Um Sopro no Vazio

Vamos voltar ao tempo em que tudo era perfeito...
Recuar um pouco mais de meia dúzia de anos,
Consigo quase voltar sentir-me pequena a teu lado
Na época em que o Natal ainda fazia sentido...

Era acordar de manhã em sobressalto, correr para a sala e ver aquela mesa quase pronta
Uma toalha grande, branca, bonita...
Os pratos já ali dispostos e, apesar de haver um numero certo de lugares na mesa,
Era sempre uma incógnita as pessoas que durante a tarde,
Ou mesmo de noite lá iriam para fazer uma visita e desejar que aquele dia fosse especial...
( Ainda actualmente eu acordo todas as manhãs no dia 24 de Dezembro a desejar o mesmo )

Era impossível esperar mais !
A imaginar os sorrisos que ali iriam ser largados passadas umas horas,
Voltamos-nos de costas para essa mesa só para olhar mais uma vez a árvore de Natal...

Era pequena, tinha poucos enfeites, mas a explicação assim o exigia...
Dava luz, aquela pequena árvore era capaz de iluminar toda aquela sala.

O coração batia mais rápido, olhávamos para a sua base e contava-mos as prendas,
Não fosse alguém ter lá posto uma sem dar conta.

Com um sorriso malandro, trocávamos olhares que nos denunciavam,
" A prenda com o embrulho vermelho é minha e é uma Barbie "
Sim, gostava disso....
Como sabia o que era ? Ora... todos os anos sabia...
Não que não fossem discretos a comprar as coisas, ou previsíveis... Mas fazia parte !

Assim que se tirava a árvore do sótão para a transportar para a sala, era sempre assim...
Existiam os nossos concursos para ver quem conseguia abrir mais presentes, ou melhor...
Era só tirar um pedaço de fita-cola daqui, outro dali... só uma espreitadela !
Estragávamos a surpresa na altura de abrir as prendas, mas assim já sabíamos exactamente qual iríamos abrir primeiro para brincar.

Chegavam os tios, envergonhados por ter apenas aquela presença anual,
Os avós que moravam ali ao lado com as filhoses e as rabanadas,
Hum... só mesmo as rabanadas é que me salvam agora... enfim !

Passava-se o dia, a noite.. e eis que eram horas.
E nos dois, seriamos sempre, obrigatoriamente os primeiros a vestir e a sair de casa...
"Oh mãe anda lá, estamos todos na rua à tua espera, daqui a pouco chegamos lá abaixo e a missa já está a acabar "
Era mesmo mau, porque quanto mais tarde fosse, mas tarde voltava para abrir as prendas...
Nunca percebíamos o motivo desse constante atraso...
Mas como já era habitual nos outros dias do ano, não nos era preocupante.

Verdade era que quando a missa acabava e voltávamos a casa,
Conseguíamos ser os primeiros a chegar e.... surpresa !!!
Estavam sempre mais presentes na árvore... os maiores.
O Pai Natal teria lá estado e aquela, bem...
Aquelas prendas não só não sabíamos o que era,
Como também nem sabíamos que elas existiam...

Era tudo perfeito, não só pela idade e inocência,
Mas porque tu estavas lá... em cada momento !

Vou continuar a acreditar que um dia vais voltar e abraçar-me como se nunca tivesses partido,
Como se a distância não tivesse significado nada,
Como se ainda gostasses de mim, tal como gostavas naquela altura...

Sem comentários:

Enviar um comentário